A Sarah Connor que habita em mim

Outro dia um amigo psicólogo estava me falando que todos nós temos uma voz interior que dialoga conosco e que precisamos escutar com atenção o que ela diz. Não é loucura não, é que cada um de nós tem uma voz que nos chama a razão nos momentos de dúvida, nos faz questionar alguns assuntos e decisões. Essa mesma voz nos faz estudar e olhar o mundo por outros aspectos e pontos de vista.

Eu acho que ele está muito certo e eu acabei descobrindo que também tenho essa voz interior.  A minha voz quando se trata de tecnologia se chama Sarah Connor (personagem de Exterminador do Futuro).  Essa bendita vozinha sempre me faz enxergar o lado perverso do avanço tecnológico, mesmo sendo eu uma entusiasta das novidades tecnológicas.

Não posso negar que o avanço tecnológico com as possibilidades abertas pelo uso da inteligência artificial, big data e do blockchain me surpreendem. Se pensarmos apenas no lado conhecido da internet, mas imagina os mais aficionados que vão além da habitual camada de http.  Como uma visionária, vislumbro um futuro  em que o processamento das máquinas chegará a níveis incríveis. 

Quero acreditar que no futuro os processadores de alta capacidade não esquentem tanto, como faz meu querido notebook que esquenta muito no final de um dia de trabalho. Mas apesar das pesquisas avançadas em relação ao desenvolvimento de processadores cada vez mais potentes e menores, muitas empresas pensam em como melhorar seus sistemas de resfriamento para minimizar o aquecimento dos computadores.

Há 8 anos atrás a Google mesmo falou do seu datacenter em Hamina, na Finlândia, onde num prédio levantado nos anos 50, o datacenter do país nórdico usa um sistemas de túneis para coletar a fria água do oceano e a colocar em contato com enormes radiadores que dissipam o calor dos servidores. Então essa água quente é misturada a água gelada e devolvida ao mar numa temperatura muito próxima a original.

Sabe-se porém que alguns estão literalmente afundando seus datacenters no mar, a Microsoft já vem testando esse modelo. Em 2018, por exemplo colocou seu CPD embaixo d’água com 12 racks composto de 864 servidores e 27,6 petabytes de armazenamento – o que é suficiente para armazenar 5 milhões de filmes.

O ambiente será alimentado por um cabo submarino e energia renovável das Ilhas Órcades, um arquipélago localizado no Mar do Norte, na Escócia. Agora imagine o quanto isso não contribuirá para o aquecimento dos oceanos se todos seguirem o mesmo modelo? A grande maioria dos usuários de tecnologia não se liga que isso já é realidade, apesar da publicação dessas informações em sites e revistas.

O que mais me atemoriza e deixa a Sarah Connor atucanando meu juízo é que assim como a tecnologia evolui para o bem, também pode ser usado para o mal. A prova viva disso é o volume de ataques e sequestros de dados que ocorrem em diversos segmentos de mercado.

Estruturas tecnológicas consideradas seguras podem estar caminhando a passos largos para a instabilidade se não for constantemente atualizadas e repensadas. O que até bem pouco tempo as empresas exibiam com orgulho que eram seus Centros de Processamento de Dados, estão dando lugar a salinhas cada vez menores.

Essa mudança se deve principalmente pela hospedagem na nuvem, que reduziu significativamente os investimentos das pequenas e médias empresas em datacenters próprios e migraram seus dados para as chamadas “fazendas de servidores” no qual pagam apenas por parte do processamento.

O que me apavora em tudo isso é a grande dependência que temos da world wide web, para acessar nossos queridos dados por http, https ou qualquer outro protocolo de comunicação que se faça  necessário.  Os dados na nuvem que revoluciona nosso modo de consumir tecnologia a todo dia, pode sofrer interrupções e gerar instabilidade de acessos se não bem dimensionado e configurado.

Um protocolo de comunicação pode ser quebrado, invadido  e as informações roubadas com muito mais facilidade do que antes em uma rede privada, que dependia exclusivamente de um individuo interno da empresa para realizar tal façanha. E se você for um leitor atento, verá que atualmente isso acontece cada vez mais, do que se publica por ai.

Não tenho nada contra a computação em nuvem ou qualquer outra inovação tecnológica, friso novamente que meus medos e ansiedades estão na forma acelerada de implementação das empresas que esquecem de que há mais do que a redução de custos de processamento envolvidos. É preciso ir mais fundo nas questões que envolvem a tecnologia por si só, a segurança, o backup, o contingenciamento e muito mais precisa ser avaliado, planejado e contratado.

Sou do tempo que sempre se falava: “quem tem um não tem nenhum”. E me assusta que com tantos avanços, há empresas que ainda percam seus dados por falta de um simples backup ou monitoração dos serviços, por não preverem esses custos mensais.

Pensando no blockchain com sua segurança inquebrável há mais de 10 anos, mas não enxerga a  dependência da rede que o processamento em cadeia de blocos possui.  O que tornariam sem valor esse modelo é a ausência de outros equipamentos para a validação dos dados da transação.  Lógico que o conceito de cadeia de blocos é maravilhoso e sua aplicabilidade vai muito além das transações de moedas virtuais que todos conhecemos.

Mas a dependência dos bancos transacionais que a maioria das aplicações utilizam pode diminuir?  Claro que não e vamos lembrar que os big datas estão cada vez mais em voga. Combinados à inteligência artificial fica ainda mais evidente que uma estrutura de dados transacionais convencionais com todos os volumes de operações ao longo dos anos permitirá que um gestor antenado tenha muita informação para sua tomada de decisão.

Como não ficar preocupada com tudo isso e calar a Sarah Connor?

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