15 formas mais comuns de identificar o Assédio Moral

Eu quero chamar sua atenção hoje para um tema que infelizmente habita o meio profissional, o Assédio Moral. Ele é tão antigo quanto o trabalho, podemos dizer que o trabalho escravo é um assédio moral levado ao extremo. Mesmo a escravidão tendo sido abolida, ainda vemos trabalhadores submetidos as mais baixas condições de trabalho e sendo exigidos resultados excepcionais.

Devido a globalização e aos meios de comunicação cada dia mais surgem casos nos tribunais. Segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) 42% dos trabalhadores brasileiros já sofreram algum tipo de assédio moral ou risco invisível. Esse número é tão alarmante que a Universidade Federal de Santa Catarina lançou o site www.assediomoral.ufsc.br. Eu recomendo para saber mais detalhes.

Nesse momento quero chamar sua atenção para o fato de que alguém ao seu redor pode estar passando por esse sofrimento. Então vou explicar de forma didática para que possas entender o que é, como identificar e principalmente como agir diante de tal situação. Primeiro vamos entender o que é ASSÉDIO segundo nosso amado dicionário Aurélio significa “insistência, teimosia junto à alguém”, ou seja, é um ato repetitivo e prolongado.

Assédio moral é toda e qualquer conduta abusiva (gesto, palavra, escritos, comportamento, atitude, etc.), que de forma intencional e frequente, fira a dignidade e a integridade física ou psíquica de uma pessoa, ameaçando seu emprego ou degradando o clima no trabalho. O assédio pode assumir tanto a forma de ações diretas (acusações, insultos, gritos, humilhações públicas) quanto indiretas (propagação de boatos, isolamento, recusa na comunicação, fofocas e exclusão social).

Então aquele comentário ou critica destrutiva direcionada a você uma única vez, que tenha sido seguido de um pedido de desculpas ou não, não caracteriza assédio moral. Reforço que para se caracterizar o Assédio Moral é preciso qualquer conduta agressiva ou vexatória, com o objetivo de constranger a vítima, humilhá-la, fazendo-a se sentir inferior. É exatamente por isso que o Assédio Moral também é conhecido como terror psicológico, psicoterror, violência psicológica.

Fazendo um rápido parênteses, o assédio moral pode ocorrer também no meio escolar, familiar e até em organizações religiosas. Se assustou? Mas então fique ligado no que vem abaixo que você vai entender bem como funciona o assédio moral.

Sob a ótica da justiça, não há um período determinado de tempo que para que se configure o assédio moral. Alguns juristas defendem o prazo mínimo de 1 a 3 anos. E esse tempo depende de cada pessoa, afinal cada um reage de uma forma ao assédio. Porém de uma coisa todos concordam que são três as características básicas para a configuração do Assédio Moral: conduta psicológica, repetitiva e com a finalidade de excluir a vítima.

Caso algum destes três requisitos não esteja presente, a situação não será enquadrada como assédio moral. Quando pensamos em assédio, logo imaginamos a figura de alguém superior direcionando seu mau-humor a algum funcionário. E essa é a figura que ilustra a maioria dos desenhos e imagens que retratam o assédio moral. Mas pasmem existem 3 (três) tipos de assédio.

Os Tipos

Assédio moral vertical, que pode ser descendente (mais comum) e o ascendente (raro de ocorrer)

No assédio vertical descendente é muito comum quem tem o poder direto fazer pressão junto ao subordinado direto. Em escolas a figura do professor ou diretor que tem a figura disciplinar, assediando o aluno. E numa relação familiar um dos pais assediando o filho por exemplo. O problema não é ser a figura disciplinadora. Isso faz parte do processo de gestão profissional e da dinâmica das relações.

O abuso está no uso dessas prerrogativas, como por exemplo deixar um empregado sem trabalho ou sem equipamentos de trabalho, dar-lhe uma tarefa difícil e procurar os erros que tenha cometido para depois demiti-lo por essa falha, dentre outros. Ou o professor retirar pontos de um aluno para rebaixar suas notas, sendo que não o fez com outros.

Já no assédio vertical ascendente o subordinado é quem exerce esse assédio sobre seu superior. Um exemplo, o caso de uma funcionária que descobre algum fato errado praticado pelo seu chefe e passa a assediá-lo de forma que ele faça suas vontades sob pena dela o entregar. Vale lembrar que esse tipo de assédio, onde a vítima é o superior hierárquico, pode ocorrer tendo como agressor não só um, mas vários funcionários ao mesmo tempo.

Isso também pode ocorrer numa escola, onde a turma pressiona um professor. Ou numa organização religiosa com regras rígidas de moral e conduta são exigidas de seus participantes, e quando alguém sabe de um ato errado do líder e usa essa informação para ter privilégios sobre os demais.

Assédio moral horizontal é aquele praticado entre colegas que estão no mesmo nível hierárquico, onde não há relações de subordinação entre eles. Algumas empresas infelizmente estimulam esse tipo de assédio, pois acreditam ser saudável ter um clima competitivo e que estimula a produtividade. A questão é que a empresa que faz vista grossa a esse tipo de comportamento mesmo não o estimulando é responsável também pelos danos ocorridos.

No assédio moral interpessoal, a finalidade está em prejudicar ou eliminar o trabalhador na relação com o(s) outro(s), pode ser pelo jogo do poder em casos em que estão competindo por uma promoção por exemplo. É o típico negócio que começa com o “puxão do tapete”.

Assédio misto exige a presença de pelo menos três sujeitos: o assediador vertical, o assediador horizontal e a vítima. Neste caso, o assediado é atingido por todos, superior e colegas.

A agressão terá um ponto de partida que pode ser do superior ou dos colegas, mas com o decorrer do tempo tenderá a se generalizar. A vítima passa a ser culpada por tudo de errado na empresa. Os “espectadores” do assédio normalmente passam a agir ou a se omitir, contribuindo para o resultado pretendido pelo agressor originário. Dentro das empresas a vítima é conhecida como “Bode Expiatório”.

Algumas organizações adotam o assédio misto como prática para alcançar objetivos de negócio, que se dá por meio de práticas abusivas. Tais como cobranças exageradas e persistentes ou o estabelecimento de metas abusivas e crescentes por parte de gestores ou representantes da organização, com o intuito de alavancar resultados.

Eu lembro de um caso que me contaram em que toda semana no fechamento das metas de uma equipe, quem não conseguisse atingisse tinha de pagar uma tarefa. A questão era que as tarefas eram no estilo receber tapas dos colegas em um corredor polonês, vestirem uma peça de roupa de fantasia e ir assim para casa. Alguns achavam legal, mas outros se sentiram humilhados, e a empresa pagou em razão da omissão e da tolerância com essa atitude.

Alguns dos objetivos do assédio:

  • Desestabilizar emocional e profissionalmente o indivíduo;
  • Pressioná-lo a pedir demissão;
  • Provocar sua remoção para outro local de trabalho;
  • Fazer com que se sujeite passivamente a determinadas condições de humilhação e constrangimento, a más condições de trabalho etc.

 

AS 15 formas mais comuns de assédio

Eu já vi muitas formas de assédio, mas pequei as mais comuns:

  1. instruções confusas e imprecisas ao(à) trabalhador(a);
  2. dificultar o trabalho;
  3. atribuir erros imaginários ao(à) trabalhador(a);
  4. exigir, sem necessidade, trabalhos urgentes;
  5. sobrecarga de tarefas;
  6. ignorar a presença do(a) trabalhador(a), ou não cumprimentá- lo(a) ou, ainda, não lhe dirigir a palavra na frente dos outros, deliberadamente;
  7. fazer críticas ou brincadeiras de mau gosto ao(à) trabalhador(a) em público;
  8. impor horários injustificados;
  9. retirar-lhe, injustificadamente, os instrumentos de trabalho;
  10. agressão física ou verbal, quando estão sós o(a) assediador(a) e a vítima;
  11. revista vexatória;
  12. restrição ao uso de sanitários;
  13. ameaças;
  14. insultos;

Abaixo coloco algumas frases discriminatórias, que podem ser ditas:

“Você é mesmo difícil… Não consegue aprender as coisas mais simples! Até uma criança faz isso… Só você não consegue!”

“É melhor você desistir! É muito difícil e isso é para quem tem garra! Não é para gente como você!”

“Seu filho vai colocar comida em sua casa? Não pode sair! Escolha: ou trabalha ou toma conta do filho!”

“É melhor você pedir demissão… Você está doente… Está indo muito ao médico!”

“Se você ficar pedindo saída eu vou ter de transferir você de empresa/de posto de trabalho/de horário…”

“A empresa não precisa de incompetentes iguais a você!”

“Se não me entregarem o que eu pedi, vou dar bala pra vocês (sacando uma arma de verdade em direção aos funcionários).”

Como agir?

Puxa Rê! Depois do seu texto eu acho que estou sofrendo ou presenciando ações de assédio contra algum colega. O que eu faço? Se for a primeira vez que isso ocorreu, busque se possível conversar com o agressor. Numa segunda ocorrência busque ajuda mutua para documentar as ocorrências, lembre-se do que eu expliquei sobre as características do assédio.

Se você é testemunha de cena(s) de humilhação no trabalho supere seu medo, seja solidário com seu colega. Se possível registre a cena e encaminhe a vítima para que ela tenha provas dessa situação. Eu reforço que muitas vezes, quando a vítima sai da empresa outro acaba sofrendo o mesmo tipo de tratamento. Infelizmente pessoas que praticam assédio acabam tornando esse comportamento rotineiro e você poderá ser “a próxima vítima”.

Para quem está sofrendo o assédio (já identificou que realmente é assédio), deixe sua família e amigos cientes, pois eles podem ser um excelente suporte emocional. Evite conversa a sós com o agressor e busque ajuda jurídica habilitada. Reuna as provas e apresente aos responsáveis do Recursos Humanos, Segurança e Medicina do Trabalho e/ou Comissão Interna de Prevenção de Acidentes.

Aja para com seu colega da mesma forma que você iria querer que agissem com você. A certeza da impunidade reforça o poder do agressor, então ajude a quebrar o ciclo. Oriente seus colegas quanto a essa questão de documentar detalhadamente as humilhações, gravar e buscar testemunhas.

Reforçando mais uma vez as três características básicas para a configuração do Assédio Moral são: conduta psicológica, repetitiva e com a finalidade de excluir a vítima. Mas espero que vocês nunca precisem dessas dicas. Qualquer coisa estou aqui para te ajudar, só agendar uma sessão comigo.

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