Jugo Desigual

Em 2 Coríntios 6 vi muitas vezes pegarem os versículos 14 a 18 e começarem a falar sobre relacionamentos amorosos entre pessoas de diferentes crenças. Mas o usam fora do contexto provocando inclusive separações entre casais que se respeitam, mesmo tendo crenças diferentes.

 

“Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos, pois que sociedade tem a justiça com a injustiça? Ou que comunhão tem a luz com as trevas?  Que harmonia entre Cristo e o Maligno? Ou que união do crente com o incrédulo? Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor, não toqueis em coisas impuras, e eu vos receberei, serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso. Tendo, pois ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne, como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus.” (7:1)

 

Sintonizando a época e o contexto

 

Paulo fundou a Igreja de Corinto em sua segunda viagem missionária, pregando ali por 18 meses. Quando chegou na cidade se colocou a fazer tendas para seu sustento. Foi hospedado por Áquila e Priscila. No princípio do seu ministério ali, pregava aos sábados na sinagoga local. Depois, por causa da oposição dos judeus, passou a pregar na casa de Tito Justo, ao lado da sinagoga. Foi absolvido pelo governador Gálio das acusações dos judeus e teve ali em Corinto um ministério muito frutífero (At 18).

 

Alguns anos depois de tê-la fundado, a Igreja de Corinto inspirava-lhe grandes cuidados. Paulo tinha uma preocupação muito grande com essa igreja, depois de escrever uma carta que se perdeu (5:9), depois I Coríntios (que é a segunda carta), ele foi visitá-la, depois escreveu mais uma carta que foi falada em (2:4) mas que se perdeu, então escreve essa II Coríntios (que no real é a quarta carta) e então viaja de novo a Corinto (At 20:1-4).

 

Possivelmente escreveu muitas outras, pois navios faziam travessia constante entre Éfeso e Corinto, aproveitando-se Paulo dos viajantes para entregar suas cartas. Mas por que Paulo ficava tão preocupado com Corinto?  Corinto era uma das maiores, mais ricas e mais importantes cidades do Império Romano. Ali viviam gregos, romanos e orientais. A cidade tinha um teatro ao ar livre com capacidade para 20.000 espectadores; os jogos Ístmicos só perdiam em importância para os Jogos Olímpicos.

 

 

Ficava situada no istmo da Grécia, que é uma porção de terra que liga uma península ao continente, uns 72 a 80 Km de Atenas, na principal rota comercial do império. Pelos seus ancoradouros passava o comércio do mundo, pois possuía dois portos.

 

Assim, além de ser a única passagem por terra entre o norte e o sul da Grécia, era também passagem entre a Ásia, a Palestina e a Itália. Os navegantes poderiam dar a volta pelo sul da península. Porém, o mar na região era muito tempestuoso. Corinto era então um corredor de mercadorias. Além disso, suas terras eram férteis. A cidade era rica e tinha localização estratégica no cenário mundial.

 

Templos pagãos, santuários e altares pontilhavam a cidade. 1.000 prostitutas sagradas trabalhavam no templo da deusa grega Afrodite. Todos os vícios do oriente e do ocidente eram praticados na cidade. Portanto, a igreja de Corinto foi plantada em meio a essa sociedade altamente paganizada.

 

A condição imoral de Corinto é registrada com a expressão grega “korinthianizomai” (lit., agir como um coríntio), que tem sua tradução coloquial em “cometer fornicação”. Ela era famosa por tudo que era pecaminoso, viver em meio ao pecado era o normal da cidade, os estranhos eram os que não viviam dessa forma.

 

O fato de ser cidade portuária, contribuía para que umas séries de problemas se estabelecessem. Muitos viajantes que por ali passavam se entregavam à prostituição e à prática de outros delitos. O fato de estarem de passagem criava uma sensação de impunidade, o que de fato se concretizava normalmente. Estes e outros fatores contribuíam para uma corrupção generalizada na cidade.

 

Havia milhares de cristãos em Corinto. Não havia congregação grande que reunisse a todos, porém uma porção de pequenas congregações, cada qual com seu próprio dirigente. Elas iam se tornando rivais, competindo umas com as outras, em vez de cooperarem unidas na causa do Evangelho. Era um acusando o outro por qualquer deslize, pescando no “aquário um do outro” como dizem hoje.

 

Alguns gregos davam interpretações filosóficas ao cristianismo, por outro lado, os judaizantes insistiam que os gregos não podiam ser cristãos sem observar a lei mosaica. E assim viviam de insultos e acusações, formando grupos em torno de uma ou outra doutrina, cada uma com um líder. Assim, a igreja se dividiu em várias facções. Era até difícil para os cristãos entenderem o que ocorria e como agir no meio de uma série de ideias e regras. A imoralidade e problemas de desordens nos cultos estavam fazendo com que a igreja corresse perigo de se paganizar.

 

Paulo prosseguiu viagem até a Macedônia, onde finalmente encontrou Tito, o qual lhe deu notícias de que a carta (que se perdeu) tinha surtido bom efeito, a igreja se arrependera da insubmissão a Paulo, tendo disciplinado o líder da oposição ao apóstolo. Mas ainda havia líderes na igreja que negavam que Paulo fosse um genuíno apóstolo de Cristo (10:7).  Era um “espirito” de confusão e um jogo de poder se instalando.

 

Paulo então escreveu a segunda epístola canônica aos Coríntios, estando na Macedônia, no decurso de sua terceira viagem missionária, aproximadamente seis meses após ter escrito I Coríntios. Seu objetivo era expressar seu alívio e satisfação ante a reação favorável da maioria da igreja de Corinto diante das instruções enviadas através da “Carta Triste”, e ao fazê-lo, descreve seu ministério, mostrando seus sentimentos mais íntimos como apóstolo (1-7).

 

Paulo a escreve também para defender a sua autoridade apostólica diante da ainda recalcitrante minoria (10-13). Mas especificamente sobre esse trecho da carta, ele que já deveria estar cansado e vendo que o povo não aprendia como agir. E foi bem categórico em colocar como um Pai aos seus filhos (6:13), quando precisa que eles sejam corrigidos, que fiquem separados do mal.

 

Está proibição aplicava-se a relacionamentos conjugais, comerciais, eclesiásticos e interpessoais. Enfim, Paulo exortava o povo de Corinto a se separar do pecado, a viver uma vida de santidade, pois não havia consenso ou justiça em Corinto. Eles deveriam focar em Cristo como um padrão de vida e tudo o que os fizessem desviar desse foco, era prejudicial.

 

Sobre os relacionamentos conjugais, Paulo já tinha advertido em 1 Coríntios 1:9-11 sobre a forma como as seitas da época que tratavam como um costume diversos atos lascivos, que Jesus já tinha justificado na vida deles. Por isso pedia que se afastassem. Um dos casos tratados na epístola (I Co 5) é o caso de um homem da igreja havia cometido incesto com a sua madrasta. Ele foi severo para não deixar brecha para que outros cometessem pecados semelhantes.

 

Como Afrodite era a deusa do amor, muitos confundiam os ensinamentos de amor de Jesus, que era diferente. Já que Afrodite falava basicamente do amor com um contexto sexual, baseada no erotismo, palavra de origem grega derivada do nome “Eros”. Por isso Paulo fez questão de escrever I Coríntios 13 que fala do amor.

 

Na questão eclesiástica por exemplo ele já tinha falado sobre a Ceia que era na realidade refeições na igreja. Os ricos levavam grande quantidade de comida e bebida para a igreja e os pobres não tinham o que levar. Eles então acabavam indo aos templos pagãos para comer com eles. Paulo já tinha afirmado que os ídolos não eram nada, e, portanto, a comida sacrificada era como qualquer outra comida.

 

A questão estava na situação de que deveriam evitar confusão e tropeços de ideologia, participando da ceia do Senhor e das refeições pagãs. Por isso deveriam evitar inclusive na compra das carnes evitar de perguntar sua origem, pois muitas vinham dos sacrifícios em templos pagãos.

 

Conhecimento, liberdade e amor eram mal interpretados para justificar inclusive o sexo com as prostitutas cultuais, a participação nas refeições dos templos pagãos e com a confusão entre os líderes religiosos nas igrejas, não havia unidade de direção. Era muito fácil o povo desviar. Era líder discutindo e brigando com os outros.

 

Por isso esse estudo tem como objetivo uma reflexão, sobre o que seria o julgo desigual hoje nos nossos dias. Ver um inocente ser acusado injustamente e não fazer nada. Como igreja nos omitirmos diante de injustiças, mau uso do nome de Deus, deixar as pessoas serem enganadas e passadas para trás por quem não tem caráter, ver um homem agredir uma mulher e se calar, saber de maus tratos aos animais, crianças e idosos, no meio empresarial há desigualdades salariais e preconceito, bullying nos colégios e empresas…

 

Como igreja temos de nos posicionar, pois ainda há muito julgo desigual e não se trata de crença, se trata de caráter.

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