Entrevista sobre Mães Empreendedoras

A origem dos empreendimentos é diferente? Em razão dos filhos, as mulheres decidem empreender por quais motivos? Mais flexibilidade na jornada de trabalho? Mudança na carreira? Complementação de renda? Quais os desafios que a mulher encontra na hora de abrir seu próprio negócio?

A tomada de decisão feminina para iniciar o próprio negócio, passa pela formação profissional que possuem, experiência no que fazem e paixão por algo. A maioria das clientes de coach que atendo e que decidem abrir seus próprios empreendimentos usam essas três informações para decidirem o ramo de atuação.  E as razões que as levam a isso para as mamães está antes de tudo na paixão pelos filhos e o desejo de acompanhar o desenvolvimento dos mesmos, o que não encaixa mais na rotina de 8 a 10 horas presas num escritório.

O Sebrae em sua última confirmou o que eu tinha observado entre minhas clientes que elas em sua maioria estão em setores como serviços e comércio.  Sendo os salões de beleza, estéticas e afins os que mais vejo crescer no Lindóia, bairro de Porto Alegre onde residia.  Aqui no Rio de Janeiro, eu encontro muitas costureiras, artesãs e cozinheiras. O que confirma essa tendência pelos serviços e comércio.

Sempre que posso pergunto o que leva essas mulheres a empreender e por mais razões que elas deem está a combinação de tudo começou com a complementação da renda familiar e a vontade de terem independência financeira para educarem seus filhos da melhor forma possível. Com negócios pequenos e que em muitos casos são iniciados em suas próprias casas, essas mães querem mesmo é estar próximas dos filhos, que quando crescem acabam se envolvendo nos negócios da mãe.

Outro dia estava conversando com uma dessas mães que fazem bolos para fora, sem o compromisso de ter uma empresa. Ela me falou do quanto esses bolos ajudaram sua família na hora de uma conta surpresa.  Ela que restringe sua clientela as mães das amigas das filhas, hoje vê sua filha mais nova também apaixonada por bolos, já conseguindo encomendas também estre os amigos. Paixão passada a próxima geração que vislumbra agora a regularização desse negócio antes tão modesto, mas com um bom potencial.

Assim como os negócios de grande porte, os empreendimentos familiares precisam de estruturação para que sobrevivam ao competitivo mercado.  E hoje muitas mães empreendedoras podem através da internet buscar essa ajuda, com formação online, consulta as empresas de apoio como o Sebrae, Endeavor e outras passam a ter acesso a conceitos empresarias que darão sustentação ao negócio.  O Governo Brasileiro vem incentivando muito a regularização dos pequenos negócios e eu aconselho a você mãe que quer iniciar seu empreendimento a ler um pouco mais no portal do empreendedor http://www.portaldoempreendedor.gov.br/.

 

As mulheres empreendem de forma diferente dos homens?

Sem dúvida que sim, a maioria não arrisca muito. Segundo Ronni Lessen (in Vokins, in Allen & Truman, 1993) o modo de gerenciar da mulher empreendedora é o modelo que a mulher administra sua própria casa: sem hierarquia, com cooperação e estilo fluído. Esse estilo é compatível com a forma de lidar com o poder, adotado pelas empreendedoras: um poder compartilhado.

Notadamente podemos dizer que o estilo de liderança feminino e masculino são diferentes. Enquanto as mulheres tendem a conversarem e ponderarem mais, os homens são mais diretos. Sendo assim as mulheres visam a colaboração do time e valorizam as opiniões, mas os homens tendem a decidir mais sozinhos.

 

Ter um negócio próprio não pode gerar mais trabalho, comprometimento antes de antes de empreender e ter filhos?

Vale dizer que uma mulher empreendedora irá trabalhar muito, mas terá flexibilidade com horários e necessidades pessoais. Para que o negócio seja bem sucedido, ela precisa ser antes de tudo organizada e rígida em seu planejamento financeiro. Antes de abrir mão da profissão atual, busque analisar os riscos que o novo negócio envolve, que investimentos devem ser realizados e estabeleça metas de resultados em curto, médio e longo prazo.

Vejo que na paixão a maioria esquece de levantar muitos custos envolvidos e se jogam de cabeça.  Quanto mais estruturado o negócio e seguindo com cautela, maiores as chances de crescerem.

 

Qual a importância do planejamento do negócio?

Ter um plano de negócios não faz do seu empreendimento um sucesso, mas ajuda e muito. O plano é importante para que a nova empreendedora entenda onde está se metendo, conheça quem são seus clientes, investigue os possíveis concorrentes, busque diferenciais para o seu negócio e participe de instituições especializadas como Sebrae, Rede Mulher Empreendedora e Endeavor, visando a sua capacitação como empreendedora.

Em muitas sessões de coaching para empreendedoras, faço um exercício de planejamento de negócio utilizando o modelo canvas, no qual se desenha com auxílio de post-its um plano de negócio numa única folha A3. Nesses exercícios, muitas entendem onde deixaram um risco ao negócio, pois atuo como “advogada do diabo” questionando o tempo inteiro sobre seus diferenciais e como iriam atrais clientes. Parece simples quando lemos sobre isso nas revistas, mas muitas esquecem algum ponto na hora de empreender e por isso estar em uma rede de apoio fará a diferença.

 

O que a empreendedora deve fazer quando o negócio vai bem e é preciso decidir se a empresa vai crescer?

O aporte de recursos financeiros na quantidade certa e no momento certo para planos de negócios bem definidos contribui para aumentar a eficácia e sobrevivência de novas empresas.  Isso porém não significa que é preciso crescer, além de se saber o momento de crescer ou não. Antes de mais nada as mães empreendedoras precisam decidir se querem crescer.

Um estudo sobre o CrediAmigo de 2008, as mulheres apresentaram lucro operacional 21,17% inferior ao dos homens. Isso talvez se explique pelas metas e aspirações das mulheres, que tendem a focar mais no cuidado dos filhos do que nos negócios. O que não ocorre em relação aos homens.  Por isso é importante estar atento ao balanceamento das atividades.

 

Onde as mães que pretendem empreender podem encontrar auxílio para o início e seguimento do seu novo negócio?

Alguns sites que eu gosto são a Rede Mulher Empreendera, o Sebrae e o Endeavor. E de revista eu recomendo Pequenas Empresas & Grandes Negócios.

Porém os sites voltados as mães estão crescendo e dois que eu gostei muito são o blog Mães Empreendedoras e o Entrepreneurial Moms, que está em 27 países, infelizmente ainda não tem no Brasil.

 

As mulheres na liderança ou comando das empresas tem mais êxito do que os homens?

Não é claramente possível afirmar que o gênero possa determinar o sucesso de um empreendimento, já que muitos outros fatores são importantes de serem analisados. Em contrapartida, um estudo liderado pelo pesquisador Nick Wilson da Escola de Negócios da Universidade Leeds no Reino Unido e publicado no International Small Business Journal, em fevereiro de 2013, mostrou que empresas startup com uma mulher na diretoria têm 27% menos risco de falir se comparadas com empresas que possuem apenas homens no corpo diretivo.  E o percentual diminui quando o número de mulheres aumenta, sugerindo que o que importa é a diversidade e não um número específico de mulheres diretoras.

 

A taxa de sobrevivência das empreendedoras é maior ou menor que a de homens?

Em 2003 a pesquisa “Empreendedorismo no Brasil”, divulgada pelo GEM – Global Entrepreneurship Monitor, em parceria com o SEBRAE e o IBQP, organizada pela Babson College (EUA) e pela London Business School (Inglaterra), concluiu que a proporção de mulheres empreendendo por necessidade é maior que a dos homens (39% homens e 42% mulheres). O que pode ser um risco adicional para o fracasso de um empreendimento segundo estudos que revelam que os riscos de empreendimentos de pessoas desempregadas triplicam (Parker,em The economics of entrepreneurship, 2009).

Mas a combinação de características masculinas: iniciativa, coragem, determinação, com características femininas: sensibilidade, intuição, cooperação, definem um estilo próprio de gerenciar por parte das empreendedoras. Esse estilo, aliado à intensa dedicação ao trabalho por parte das mulheres empreendedoras, contribui para as altas taxas de sobrevivência de empresas geridas por mulheres.

 

Qual é a fonte destes números que foram enviados no release (No Brasil, 7 milhões de mulheres são donas do próprio negócio, 21,4% a mais do que há dez anos. Dessas, 70% têm filhos)?

A pesquisa mais recente sobre esse tema é “As mulheres empreendedoras no Brasil”, publicada em março de 2013 pelo Sebrae (anexo o PPT). Uma outra fonte que recomendo é a Rede Mulher Empreendedora, que atua no desenvolvimento.

 

Você pode citar alguns exemplos de negócios que foram criados por mães empreendedoras que deram certo (de preferência no RS, ou na região de Passo Fundo, mas pode ser nacional também)?

Heloísa Assis (Zica), 52 anos é dona da rede de cabeleireiros Instituto Beleza Natural, a carioca foi eleita pela revista Forbes uma das 10 mulheres mais poderosas do Brasil. Ela começou no quintal de uma casa alugada na Tijuca, aos 33 anos e com três filhos pequenos.

 Maria Helena Lubke Jeske, de Pelotas (RS), proprietária da Imperatriz Doces Finos e Doces Tradicionais de Pelotas, além de presidente da Associação dos Produtores de Doces de Pelotas, que reúne 16 doceiras da região e em 2011 recebeu a chancela de Indicação de Procedência do Doce de Pelotas, concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

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